quinta-feira, 11 de junho de 2009

O desastre que não terminou


Aos 4 anos, ele foi tirado da casa dos pais pela janela para não ver o cadáver da avó, que caíra vítima de enfarte fulminante.O terror daquela morte não presenciada o levaria, anos depois, ao curso de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E o faria trocar o departamento de gastroenterologia do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, pela psiquiatria e a psicologia.

Aos 66 anos, Sergio Perazzo é professor da Sociedade de Psicodrama de São Paulo e autor de Descansem em Paz os nossos Mortos dentro de Mim, livro pioneiro no Brasil sobre o processo de luto. Em sua atividade clínica, atendeu parentes das vítimas do Fokker 100 da TAM que caiu em São Paulo em 1996. E enfrentou a tragédia pessoal do suicídio do irmão.

A seguir, Perazzo fala do acidente com o Airbus da Air France em que 228 pessoas simplesmente desapareceram. E diz que a dúvida sobre as causas do desastre pode prolongar o luto e a dor de suas famílias.

O impacto

"Quando uma tragédia como a do avião da Air France acontece, é a concretização de um medo que todos temos: o de estar amarrado a uma poltrona, impotente diante da iminência da morte. Não adianta dizer que a porcentagem de desastres aéreos é muito menor que a dos acidentes de trânsito. Afinal, morreram 228 pessoas de uma só vez. Lembro de um amigo que dizia: ‘Estatística é se afogar em um rio com profundidade média de 50 centímetros’. O fato de a Air France ter disponibilizado uma equipe de psicólogos e psiquiatras para cuidar das famílias é um avanço. Primeiro, é preciso acolher as pessoas. Não é dizer: ‘Seja forte, reaja’. Mas deixar que a pessoa chore, expresse sua dor.

A ausência

"O desaparecimento dos corpos e a dúvida sobre as causas da tragédia são um elemento complicador do luto. A família precisa da prova concreta da morte dessa pessoa. As situações em que o corpo desaparece, se desintegra, são muito difíceis de trabalhar. E a tendência é o luto se prolongar. É o drama vivido até hoje pelas famílias de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar no Brasil.

Negar até a morte

"A morte súbita em acidente aéreo ou em um assalto - outra situação com que me defrontei várias vezes na clínica - contraria o que esperamos da vida. Deixa frases por dizer, declarações de amor nunca feitas, gestos perdidos para sempre. Daí a inconformidade diante desses acontecimentos. Veja a morte de Carlos Gardel, também em um acidente de avião: seus fãs, durante anos, alimentaram a expectativa de que ele reapareceria, cantando. O mesmo ocorreu o mito Elvis Presley, também morto repentinamente.

Longe de casa

"Quem melhor estudou o comportamento do homem diante da morte foi o historiador francês Philippe Ariès. Ele mostra que transformações intensas na forma de lidar com a morte aconteceram no século 20. Os rituais de morte se afrouxaram e os moribundos foram afastados do convívio familiar. Antes da 2ª Guerra Mundial, em Nova York, menos de 25% das pessoas morriam internadas nos hospitais. Depois da guerra, esse número subiu para 75%. Hoje, diante da velocidade da vida moderna, é cada vez mais complicado lidar adequadamente com a doença e a morte.

O enterro dos outros

"Quando me formei na UFRJ, saíamos para fazer atendimento de ambulância, o que se chama de resgate hoje. Uma das maiores dificuldades que tínhamos era afastar os curiosos para colocar a vítima dentro do carro. As pessoas ficavam literalmente debruçadas sobre o acidentado. Eu era obrigado a entrar antes na ambulância, sentar no banquinho ao lado da maca e, naquele calor do Rio de Janeiro, fechar todas as janelas. Senão, enfiavam a cabeça lá dentro para ver o que estava acontecendo. É algo que também se manifesta na morte de ídolos populares, como Ayrton Senna, Elis Regina e Tancredo Neves. Na minha infância, vi três enterros impressionantes, que marcaram época no Rio de Janeiro: o de Francisco Alves, Carmen Miranda e Getúlio Vargas. A cidade parou para ver os cortejos. Isso se explica, em parte, pelo peso histórico de quem morre, mas é também um deslocamento: a catarse da emoção de quem não chorou seus mortos como deveria e a transfere para um defunto público.

Química contra a dor

A última lista de antidepressivos que consultei tinha 87 produtos diferentes. Nenhum médico pode ser contra a medicação, como eu não sou. Mas ela tem que ser ministrada o mínimo possível, dentro de um diagnóstico apropriado. Eu não daria antidepressivo para uma pessoa que acaba de perder um parente. Porque estar deprimido é normal nessa circunstância. Claro que, em situações de luto prolongado - com duração de mais de um ano, ou mais - o uso pode ser considerado, para reduzir a crise enquanto se trabalha o luto na psicoterapia.

Passageiros da agonia

"Já tratei de parentes que perderam pessoas em acidentes aéreos, como o do avião da TAM em 1996. Naquela ocasião, como vários corpos foram recuperados, a parte mais traumática para os familiares era o reconhecimento. É uma imagem que a pessoa não apaga mais. Vivi essa situação pessoalmente quando meu irmão mais novo se suicidou pulando do sétimo andar do prédio onde morava. Fiquei dois anos sem conseguir colocar os pés na minha varanda porque a visão de meu irmão morto me vinha à cabeça. Isso me ajudou a entender o que sente uma pessoa nessa situação e sempre me auxilia na prática clínica.

A caixa-preta

"Nós sempre procuramos um culpado. Quando a morte se dá no hospital, a primeira coisa que se pensa é em erro médico. Filhos que perdem o pai se angustiam por não terem dado atenção ao mal-estar que ele sentiu dias antes. Ou o sujeito que sofre um acidente ao lado de alguém sem cinto de segurança culpa-se por não ter insistido para que ele o usasse. Quando meu irmão morreu, pensei: ‘Se tivesse visto que ele estava deprimido, podia tê-lo ajudado’. Mas é preciso aceitar que a morte existe para todos e ninguém é Deus para evitá-la. Em um acidente aéreo, não é diferente: a gente fica procurando a caixa-preta que vai explicar os fatos e nos isentar de toda culpa.

Superação

"Há alguns sinais. A pessoa volta a sorrir, é capaz de falar do morto sem sofrimento e até de contar uma história divertida que aconteceu com ele. É quando a morte vira história incorporada. Não é um processo de esquecimento da pessoa perdida. Muito pelo contrário: é a absorção de sua lembrança, que encontra lugar na história de vida de quem o perdeu. Quando meu irmão se matou, minha mulher e eu dissemos para a nossa filha pequena que ele havia morrido de enfarte. Passamos muito tempo sem tocar no assunto. Um dia, estávamos jantando e, por uma razão qualquer, mencionei seu nome. Então, minha filha falou: ‘Ah, sei, o tio Nando, né?’ E fez com os dedos o gesto de um bonequinho se atirando da mesa para o chão. Ela sabia. Foi a primeira vez que ri do suicídio do meu irmão. A partir daí, pude voltar à varanda que me aterrorizava. Entendi que tinha completado o luto naquele momento."

Ivan Marsiglia

terça-feira, 9 de junho de 2009

No território do inimigo


E saiu Diná, filha de Léia, que esta dera a Jacó, a ver as filhas da terra. E Siquém, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a – Gn 34.1,2

Toda confusão começou quando ela resolveu visitar as moça daquela terra. Mas que terra era aquela? Era uma terra onde se praticava sacrifícios humanos, prostituição, incesto, zoofilia, barbaridades. Mas, ela ficou curiosa à respeito das moças daquela terra. Curiosidade nada sadia aquela! A curiosidade é algo que, se voltada para coisas boas nos faz até crescer. Mas quando o alvo de nossa curiosidade são as coisas ruins, ela acaba se tornando a porta para experiências traumáticas em nossas vidas.

Muitos foram visitar as filhas desta terra porque quiseram saber qual a sensação que as drogas causam. Outros desejaram saber como é uma casa de prostituição por dentro. Outros sentiram a curiosidade de saber o sabor de outra carne. E por ai vai...

É da curiosidade que surgem os relacionamentos perigosos e, são dos relacionamentos perigosos que surgem os maus costumes. Há uma falsa segurança que faz com que pessoas se associem com pessoas de índole ruim por acharem que ninguém faz sua cabeça. Mas, só pelo fato de se sentir mais a vontade na presença de pessoas assim, mostra que a pessoa já tem uma pré-disposição para o mau caminho. É isso ai. Nós atraímos e somos atraídos por pessoas da mesma qualidade que nós. As pessoas com quem andamos e nos atraímos falam muito sobre quem nós somos.

Naquela terra, Diná foi desonrada. O príncipe desta terra se aproveita de quem vai passear em seu território. Ele sabe como fazer estas pessoas passarem vergonha e serem humilhadas.
Não estou defendendo uma atitude farisaica de se afastar de todo aquele que não trilha o mesmo caminho que nós. Já escrevi algumas vezes aqui sobre nosso papel de sal e luz. Mas, falo sim, da diferença entre levar nossa luz em meio às trevas e deixar que as trevas apaguem nossa luz. Falo aqui do sal perdendo o sabor. Falo aqui da atitude de sair de debaixo da sombra protetora do altíssimo, por se sentir prisioneiro de Deus, para visitar os filhos desta terra. A palavra usada para visitar (ra’ah) significa ver, examinar, inspecionar, perceber, considerar. Diná não foi ali para levar luz. Ela foi ali para receber do que filhas da terra tinham, e, infelizmente recebeu. Lugar errado, motivo errado, hora errada.

Que Deus nos guarde.

Pr Edmilson

segunda-feira, 8 de junho de 2009

QUEM PODE ENTENDER O CAMINHO DE UM HOMEM COM UMA MULHER?...‏



Há três coisas que são maravilhosas demais para mim; sim, há quatro coisas que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar, e o caminho de um homem com uma mulher (Pv 30.18,19).

A confissão da Sabedoria no livro de Provérbios nos diz que um dos mais indevassáveis mistérios humanos nesta existência é o caminho de um homem com uma mulher.

Quando há amor, encontro, desejo, vínculo, irmandade, jugo existencial dividido justa e harmonicamente; quando o que os vincula é mais forte do que a morte; quando dois se fazem um em uma simbiose sadia; quando suas mentes vão se tornando uma só; quando seus sonhos na vida se tornam comuns; quando seu tesouro é um ter o outro; quando até os filhos são menos do que os dois são um para o outro; quando até os desencontros os aproximam mais... — então, diz a Sabedoria, se está diante de um mistério...: o caminho de um homem com uma mulher...

O que faz tal encontro que faz encontrar... acontecer como encontro real e definitivo?

Ora, é na confissão de ignorância que a Sabedoria lança luzes sobre o fenômeno...
Sim, é pelas coisas que são maravilhosas demais para serem entendidas [três coisas...] que o sábio busca luz para melhor discernir o mistério mais profundo, que é mais que “maravilha”..., sendo de fato aquilo que não entendemos...: o caminho de um homem com uma mulher.
Dentre as coisas maravilhosas demais, diz o sábio, há três que o deixam perplexo...

O caminho da águia no céu...

É caminho altaneiro, com direção e objetivo, com olhar que vê ao longe, com visão perspectiva e prospectiva, com intenção de trazer comida ao ninho, com o instinto de que os bens ganhos devem ser divididos com quem espera por nós no ninho feito nas alturas da esperança...

Além disso, é um caminho leve, entregue ao vento, capaz de planar, de se deixar levar, de descansar no tapete do vento enquanto olha o que pode ser alimento e vida...

Desse modo, o caminho da águia no céu é feito de direção e objetividade de propósitos, tanto quanto é feito de leveza e de confiança no vento; e mais: leva em si o paradoxo de ser objetivo e, ao mesmo tempo, leve e solto...

O caminho da cobra na penha...

É caminho na rocha, por isto é uma vereda sem marcas e sem pegadas... Não há rastros... Não há manchas para trás... Sim, as marcas são as da não marcas... Sim, trata-se da vereda que não traumatiza e não assusta para o mal... Não há surpresas... Não há marcas “paralelas”... De fato, não há pegada alguma...

O caminho do navio no meio do mar...

É o caminho de quem não se assusta com as vagas, os vagalhões, com as ondas gigantes, com os monstros marinhos, e com o abismo...

Sim, é caminho que se guia [no passado...] apenas pelos céus, pelos mapas escritos nas estrelas, pelas veredas feitas de marcas superiores; acima, fixas, imutáveis...; e, por isto, mesmo não entendendo o mar, o marinheiro de três mil anos atrás singrava a morte dos oceanos apenas olhando para os céus...

Ora, são essas “maravilhas” que iluminam o mistério do caminhar entre um homem e uma mulher...

Sim, pois o caminho de um homem com uma mulher não é para ser entendido ou anatomizado...
Não! O caminho de um homem com uma mulher é para ser vivido, não para ser explicado...
Aliás, relações que se explicam muito têm quase sempre nada em si mesmas...
Os vínculos que perduram são os que estão para além de qualquer explicação humana...
É!... São... Basta ser...

Entretanto, embora eu não entenda o caminho de um homem com uma mulher, sei, todavia, que seu modo é como o da águia no céu, como o da cobra na rocha e como do navio solto no meio do oceano há mais de três mil anos...

Portanto, o que faz possível o misterioso caminho de um homem com uma mulher, à semelhança da vereda da águia, é sua decisão de caçarem juntos, de buscarem as mesmas coisas, de se referenciarem pelo mesmo monte, pelo mesmo ninho, pelos mesmos filhos, pela mesma noção intrínseca de objetivo, propósito e direção... Isto, ao mesmo tempo em que se confia também no vento, no improviso, na flexibilidade, nas correntes de ar, na leveza enquanto de busca o objetivo comum...

Do mesmo modo o caminho de um homem com uma mulher não se explica, mas se maravilha ante a possibilidade de se viver uma vida sem marcas alheias, sem manchas, sem passado ou presente de traição, sem mágoas, sem trilhas estranhas...

Quem anda na rocha não deixa marcas para trás...
Quem, como uma cobra, anda na rocha, menos marcas ainda deixará para trás...
Assim, o caminho de um homem com uma mulher será tão mais misterioso quanto mais limpo e simples ele seja...

Além disso, o caminho de um homem com uma mulher é apenas possível ante a escuridão dos fatos, da vida, da turbulência da existência, das vagas imensas e das subitezas de toda sorte de tempestades... — se o caminho for feito acima do imediato e dos seus monstros inevitáveis; e isso só é possível quando os “marinheiros” desta travessia olham e se guiam apenas pelos sinais dos céus...

Havendo tais coisas, apesar de misterioso e inexplicável, o caminho de um homem com uma mulher será possível...

Sim, com direção e leveza, com andar limpo e sem marcas e manchas, com orientação que transcenda os tumultos do imediato e de seus oceanos de perigo...

Ora, sem tais coisas não vale a pena entregar-se à aventura...

Seria como uma águia sem rumo e sem direção...; como uma cobra na lama, atolada e cheia de marcas de suas revolvencia...; ou como um navio antigo, há milhares de anos, insistindo em viajar por mares perversos sem olhar para o único meio possível de orientação: os céus!...

Hoje, muitos querem o caminho de um homem com uma mulher, mas, sem a direção comum, sem a leveza no processo, sem a limpeza no andar, sem os céus a guiar...

Portanto, o que tais pessoas têm é apenas a rapinagem da águia sem ninho e sem compromisso com filhotes e com aquela que deles cuida; sem a honra de um caminhar que não tem o que esconder; sem o olhar superior que vence o mundo... — e, apesar de nada disso haver neles e para eles..., querem assim mesmo que o caminho seja maravilhoso, misterioso e lindo...
Sem direção e leveza, sem pureza e simplicidade, sem os mapas do céu... — o que sobra é o abismo, não o mistério...

Não se deve brincar com tais coisas...

Loucos ou loucas são todos aqueles que dão as mãos para fazerem a viagem juntos..., mas sem o compromisso com os objetivos comuns e com leveza do fazer; sem a pureza do andar, e sem o mapa superior, que, para nós, é o Evangelho: único caminho seguro para que alguém se atreva a atravessar os oceanos...

Esta viagem... é apenas para aquele que tem no coração as veredas superiores, o caminho de cima...

É assim que é...
E quem não andar assim, não deve tomar ninguém pela mão e propor viagem alguma...
Sim, que pelo menos se perca..., se suje... e se abisme sozinho pelas vias da existência..., mas não leve uma vítima para o nada...

Nele, em Quem e de Quem vem tal sabedoria,

Caio

Consulta


Esta mensagem foi dedicada a mim e igreja Batista Beréia pelo meu amigo Leonardo do amigosdofreud. Leo, valeu!

Fui à clínica do Senhor para fazer uma consulta de rotina. E constatei que estava enfermo.

Quando Jesus me tomou a pressão, viu que estava baixa de ternura.

Ao medir-me a temperatura, o termômetro registrou 40º C de ansiedade.

Me fez um eletrocardiograma e o diagnóstico foi que necessitava bombear mais amor, pois as minhas artérias estavam bloqueadas de solidão e saudade, e não abasteciam meu coração vazio.

Passei pela ortopedia, já que não podia caminhar ao lado do meu irmão, e tampouco dar um abraço fraternal, porque havia me machucado ao tropeçar nos problemas.

Também me diagnosticou miopia, já que não podia ver mais nada além das coisas negativas do meu próximo.

Quando me queixei de surdez, Jesus disse que eu havia deixado de escutar Sua voz a cada dia.

É claro que Jesus me deu uma consulta gratuita e, graças à Sua misericórdia, prometo que ao sair desta clínica, tomarei somente os medicamentos naturais que me receitou através da Sua verdade.

Ao levantar-me, beber um copo de agradecimento.

Ao chegar ao trabalho, tomar uma xícara de paz.

A cada hora, ingerir um comprimido de paciência e uma cápsula de humanidade.

Ao chegar em casa, injetar uma dose de amor.

E, antes de dormir, tomar duas doses de consciência tranquila.

Não se deprima nem se desespere pelo que está vivendo hoje. Jesus sabe o que você sente. Ele sabe perfeitamente o seu limite e não deixará passar deste ponto.

O propósito de Jesus para você é admiravelmente perfeito. Ele deseja lhe mostrar muitas coisas que somente compreenderia estando exatamente no lugar onde está e na exata condição que vive agora neste lugar.

Que Jesus o abençôe sempre!

Dedicado especialmente ao Pastor Silas Alves e aos amigos da Igreja Batista Beréia

sábado, 6 de junho de 2009

A SUPREMA IMPORTÂNCIA DA IGREJA


A igreja é o povo chamado do mundo para ser propriedade exclusiva de Deus. É o povo separado do pecado para viver em santidade, tirado das trevas para ser luz entre os povos. A igreja é o templo da habitação de Deus, a noiva do Cordeiro, a coluna e baluarte da verdade. A igreja de Deus transcende a qualquer denominação, cultura ou fronteira geográfica. Ela é composta de todos aqueles que foram salvos em Cristo, em todos os lugares, em todos os tempos, dentre todos os povos. Não há salvação fora dessa igreja. Por isso, falamos da igreja visível e da igreja invisível. A visível é composta de pessoas convertidas e não convertidas. Na igreja visível há trigo e joio. Mas, na igreja invisível só estão arrolados aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro, cujos nomes estão escritos no livro da vida.

Há várias figuras sobre a igreja nas Escrituras. Queremos, aqui, à luz de 1Coríntios 3.1-17, destacar três dessas importantes figuras:

1. A igreja é uma família (1Co 3.1-5) - A igreja é uma família, composta de crianças espirituais e também de pessoas adultas na fé. Aqueles que nascem de novo precisam crescer rumo à maturidade, até chegarem à plenitude da estatura de Cristo. O propósito dessa família é atingir a maturidade espiritual. E o instrumento que leva essa família ao amadurecimento na fé é a Palavra de Deus. A Palavra de Deus é vista como alimento, leite para as crianças e alimento sólido para os adultos. O apóstolo Paulo diz que onde há ciúmes e contendas há evidência de imaturidade espiritual (1Co 3.3). Onde há partidos e grupos há sinais claros de meninice espiritual (1Co 3.4). Onde há culto à personalidade não pode existir maturidade na fé (1Co 3.5). A igreja de Corinto estava dividida em vários grupos (1Co 1.10-13). Havia naquela igreja disputa entre esses grupos e até ciúmes entre os irmãos. Paulo diz que essas atitudes revelavam carnalidade e infantilidade espiritual (1Co 3.1-3). A igreja precisa ser uma família unida, com uma só mente, uma só alma, um só propósito. A família precisa crescer rumo à maturidade!

2. A igreja é uma lavoura (1Co 3.6-9a) - Paulo passa da metáfora da família para a figura da lavoura. A igreja é a lavoura de Deus, o campo de semeadura de Deus e o alvo da lavoura é a quantidade. Para alcançar esse propósito a Palavra de Deus é a semente. No processo do crescimento da lavoura três atividades são necessárias: o plantio, o cuidado e o crescimento. Paulo diz: "Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus" (1Co 3.6). Uma verdade bendita salta aos olhos aqui: a interação entre a ação humana e a divina. Paulo planta, Apolo rega e Deus dá o crescimento. Não há crescimento de uma lavoura que não foi plantada. Não basta plantar, é preciso regar. O trabalho humano, porém, embora vital, não pode por si mesmo produzir o crescimento da igreja. Essa é uma ação exclusiva de Deus. Só ele pode acrescentar à igreja os que são salvos.

3. A igreja é um santuário (1Co 3.9b-17) - Paulo depois de falar da igreja como uma família e uma lavoura, passa a falar dela como um santuário. Se o propósito da família é a maturidade e o alvo da lavoura é a quantidade, o propósito do santuário é a qualidade. O instrumento para edificar esse santuário é também a Palavra. Numa superposição de imagens, somos tanto os edificadores desse santuário (1Co 3.10) como o próprio santuário (1Co 3.16,17). Esse santuário tem um fundamento que não pode ser mudado. O fundamento é Cristo (1Co 3.11). Esse santuário precisa ser construído com material nobre e imperecível (1Co 3.12). Esse santuário, que somos nós, povo remido pelo sangue de Cristo, é a própria morada de Deus (1Co 3.16), e, por isso quem destruir esse santuário, que é sagrado, será destruído pelo próprio Senhor (1Co 3.17). Somos a família de Deus, a lavoura de Deus e o santuário de Deus. Que sejamos maduros na fé, frutificando em toda a boa obra, buscando fazer tudo com excelência para a glória de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 3 de junho de 2009

o contrário de aprender é culpar


Certo ministro do evangelho disse em uma pregação que o contrário de aprender é culpar. Seu nome é Tim Redmand. A princípio essa informação parece não proceder. Porque o contrario de aprender é culpar? Em sua pregação ele falava a respeito de uma experiência vivida com um de seus filhos ainda criança. O caçula bateu no mais velho, ele flagrou a cena e chamou a atenção do filho perguntando-lhe se ele havia batido no irmão, ao que estranhamente respondeu que não havia feito aquilo. De forma alguma havia batido no irmão. Chorava e afirmava que não havia feito aquilo e o ministro dizia: - não minta para mim, eu vi você bater no seu irmão. Mas ele continuava: - não papai, eu não bati nele. Foi minha mão que bateu nele, não fui eu!

O pequeno estava querendo sair da situação sem levar a culpa, para isso ele culpou a mão. Parece simplesmente coisa de criança, mas não é. O contrário de aprender é culpar! Sem admitir a culpa ele ficava numa situação confortável de se sentir aliviado do peso da culpa, mas não aprenderia que assumir a responsabilidade dos próprios atos o levaria a aprender algo com aquela situação. Não admitir a culpa do ato cometido é confortável, mas causa deformidade no caráter.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com você. Tem tudo a ver querido, comigo e com você. Quantas vezes não reclamamos que as coisas não estão dando certo porque é culpa do marido, da sogra, do cunhado, da tia, da avó, do filho, do pastor, da igreja, do patrão. A culpa é do governo, do clima, da cidade, de Deus, mas não é sua culpa. A perfeição chegou ai e ficou não é mesmo? O contrário de aprender é culpar!

É assim mesmo querido? Ta todo mundo errado menos você? Melhor rever seus conceitos. É confortável a sua posição de encontrar erro em todo mundo menos em você, mas isso não significa que você está certo. Faça uma auto-análise.
Eu lembro de um exemplo muito conhecido na bíblia de alguém que queria ficar isento da culpa, mas na verdade era tão responsável por seus atos quanto qualquer pessoa. Pilatos quis se isentar da responsabilidade de mandar Jesus pra morrer, note que ele quis culpar somente os judeus, mas foi tão culpado quanto qualquer outro (Lucas cap. 23).

Não é confortável admitir erros, mas você pode aprender admitindo seus erros e conduzindo outras pessoas a não cometerem os mesmos. Seja sábio, não aos seus próprios, mas aprenda a sabedoria que vem do alto. Quando você parar de culpar vai passar a aprender e se tornar alguém melhor.

Para meditar em algo que trará clareza: Salmo 119:105 e Provérbios 6:23.

Luclécia Silva

segunda-feira, 1 de junho de 2009

COMO VIVER SEM MÁSCARAS


O carnaval é a maior festa popular do Brasil, e talvez, do mundo. Nessa festa da extravagância e dos excessos, muitas pessoas saem às ruas usando máscaras. Algumas dessas pessoas escondem-se atrás das máscaras; outras se revelam por meio delas. Uma máscara é tudo aquilo que esconde ou encobre a nossa verdadeira identidade. É importante ressaltar que existem máscaras tangíveis e intangíveis; algumas cobrem o rosto; outras tentam disfarçar as atitudes da alma.

De certo modo todos nós usamos máscaras. Aquele que diz que nunca usou uma máscara, possivelmente esteja acabando de afivelar uma no rosto, a máscara da mentira. O problema das máscaras é que elas proclamam uma mentira ou escondem uma verdade. Quando usamos máscaras, as pessoas passam a amar não quem nós somos, mas quem nós aparentamos ser. As máscaras também não são seguras. Por melhor que nós as afivelemos, elas podem cair nas horas mais impróprias e nos deixar em situação de total constrangimento.

Queremos mencionar aqui algumas máscaras usadas ainda hoje.

1. A máscara da piedade - O apóstolo Paulo, ensinando sobre a doutrina da Nova Aliança, diz que podemos ser ousados em vez de agir como Moisés que pôs um véu sobre a face para que as pessoas não atentassem para a glória desvanecente em seu rosto. Quando Moisés subiu o Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, ao regressar, seu rosto brilhava. As pessoas não podiam olhar para ele. Então, ele colocou um véu em sua face para que as pessoas pudessem se aproximar e falar com ele. Mas houve um momento em que Moisés percebeu que a glória estava acabando. Ele não precisava mais do véu, porém, ele continuou com o véu, porque não queria que as pessoas soubessem que sua glória era desvanecente. Muitas vezes, somos parecidos com Moisés. Tentamos impressionar as pessoas com uma espiritualidade que não temos. Aparentamos ser mais crentes, mais piedosos do que na verdade somos.

2. A máscara da autoconfiança - O apóstolo Pedro era um homem impulsivo. Falava para depois pensar. Quando Jesus declarou que seus discípulos iriam se escandalizar com ele e iriam se dispersar, Pedro não titubeou e foi logo dizendo que ainda que todos o abandonassem, ele jamais o faria. Disse ainda que estava pronto para ir com Jesus para a prisão ou até mesmo para a morte. Pedro julgou-se forte e até melhor do que seus pares. Porém, naquela mesma noite, Pedro fraquejou e dormiu quando Jesus pediu para ele vigiar. Pedro abandonou a Jesus e seus condiscípulos e infiltrou-se na roda dos escarnecedores. Pedro negou, jurou e praguejou, dizendo que não conhecia a Jesus. A máscara de sua autoconfiança caiu quando Jesus olhou para ele. Então, ele caiu em si e desatou a chorar.

3. A máscara do legalismo - Um legalista é inflexível com as outras pessoas, mas condescendente consigo. Ele enxerga um cisco no olho de seu irmão, mas não vê uma trave no seu. O legalista preocupa-se mais com a forma do que com a essência. Cuida mais da aparência do que do interior. Os fariseus eram legalistas. Eles eram fiscais da vida alheia, mas descuidados com sua intimidade com Deus. Eram bonitos por fora, mas feios por dentro. Jesus os comparou a sepulcros caiados, limpos por fora, mas cheios de rapina por dentro. Os fariseus eram hipócritas. Eles eram atores que representavam no palco um papel diferente daquele desempenhado na vida real.

A vida cristã é uma contínua remoção das máscaras. A Bíblia diz que onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade; não liberdade para fazer o que queremos, mas liberdade para vivermos na luz. Pela obra de Cristo e pela ação do Espírito, podemos viver sem máscaras, sendo transformados de glória em glória, até atingirmos a estatura de Cristo, o Varão Perfeito.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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