quinta-feira, 21 de maio de 2009

Accountability


João Cruzué

Accountability é uma palavra inglesa que não encontra um vocábulo correspondente na língua portugues; significa mais ou menos o ato ou dever de prestar contas de alguma coisa recebida que não é de nossa propriedade. Um atributo positivo no caráter de uma pessoa, de uma liderança e principalmente de um cristão. Quero escrever um texto que conte o que vai acontecer quando o SENHOR dos mordomos voltar, analisando a situação da Igreja em nossos dias.

E disse o SENHOR: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá. Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis. Lucas 12:42 a 45.

Parafraseando alguns sábios pastores que usam uma figura de linguagem bem humorada: Aqui no Brasil não existem problemas de 'accountability', mas lá fora acontece muito. Então vou relatar casos que acontecem "lá fora", mas que graças a Deus no Brasil "não" tem.

E nada melhor para ilustrar o texto que este "causo" muito conhecido entre as pessoas do interior. Um dos muitos causos de Jesus e São Pedro. Conta-se que Jesus e Pedro estavam viajando e certa tarde aproximaram-se de uma casa muito humilde. Desejando passar à noite e com fome decidiram bater na porta.

Um homem muito simples, sozinho e triste abriu-a. Pediram pousada e alguma coisa para comer. Aquele homem saiu ao terreiro para pegar algo para servir aos hóspedes. Ele tinha apenas uma galinha e dois frangos. Trouxe um deles, cozinhou e serviu. São Pedro ficou admirado da generosidade daquele homem. Cearam, dormiram e no outro dia seguiram viagem.

--SENHOR, não podemos ir embora sem abençoar este homem. Ele é muito humilde, pobre, generoso, não pensou duas vezes em nos servir uma de suas poucas aves. O Senhor precisa abençoar este homem.

--Pedro, Pedro! Está julgando só pelas aparência. Ainda é muito cedo para dizer se ele é tão virtuoso assim. Sinto que se orarmos para a prosperidade deste homem, ele vai deixar de ser gentil, humilde, generoso muito em breve.

--SENHOR, não poderia estar enganado? Como pode um bom homem como este se transformar do vinho para a água só por causa de uma benção? E assim Jesus orou e abençoou o homem humilde, sozinho, triste que morava numa casinha pobre. E o tempo passou.

E também por ali passaram muitos anos depois, São Pedro e Jesus. Em lugar da casinha humilde, havia uma fazenda enorme, assobradada, com alpendre, muitos quartos. No terreiro não havia apenas galinhas, como bois, carneiros e cavalos em verdes pastagens. O abençoada não estava mais só, tinha família: uma esposa linda, filhos e filhas, além de muitos empregados.

Tão logo avistou aqueles dois viajantes vindo com certeza para pousar em sua casa, gritou para um empregado. Fulano! Veja o que querem aqueles dois vagabundos que estão chegando. Não vou contar o resto, pois você já deve ter ouvido contar sobre a "recepção" de Jesus e São Pedro. A ceia só chegou lá pela meia noite e Pedro levou duas surras de chicote. No canto e na beirada. No outro dia com muitos vergões nas costas Pedro comentou com Jesus: O senhor estava certo quando eu teimei para que orasse para prosperar este homem. Ele já não é mais o mesmo!

E assim tem acontecido com lideranças evangélicas em nossos dias. Lá "fora", pois aqui no Brasil graças a Deus nós "não" temos isso. Homens e mulheres que no passado eram tão humildes, moravam em casinhas simples, eram pobres, andavam a pé, sozinhos. E Deus ouviu muitas orações: Abençoa Senhor! Abençoa Senhor! Abençoa Senhor. E o Senhor abençoou, abençoou e abençoou. E não contentes com as bênçãos, tiveram inveja dos ímpios. Fundaram empresas pessoais com o dinheiro da Igreja, compraram fazendas, criaram cavalos, compraram grandes mansões com piscinas perto dos ímpios, buscaram cargos políticos com inveja dos ímpios, aprenderam a pendurar fantasmas nas folhas públicas. Trocaram a paixão pelas almas pela ganância e espoliação das ovelhas. Hoje estão gordos e abastados, mas não satisfeitos.

Volto a repetir que no Brasil "não" existem essas coisas... Elas acontecem somente lá "fora"!

E na medida que foram prosperando foram se transformando nos verdadeiros donos da Igreja. De grandes Igrejas. Tornaram-se Deuses, donos da razão e da verdade absoluta. O conselho contraditório é vingado enquanto a bajulação é bem-vinda. E com tanta loucura agiram que ao som da Palavra de Deus os incrédulos se refugiam. O Evangelho ficou mal visto por causa dos deuses do evangelho. Aqui no Brasil "não' acontece isto, mas quando alguém liga a TV no "exterior" vêem-se homens vociferando, gritando, contando gracinhas no púlpito, pregando sem unção e sem graça, porque perderam o chão sob seus pés.

O dia da prestação de contas está chegando.

"O SENHOR da Igreja está voltando. Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". Mateus 7:15 a 23.

Assim, antes que aquele dia chegue, aquele que exerce mordomia na Casa do Senhor no Brasil, observe bem o que está acontecendo lá "fora", para que não seja enganado e destruído pela tentação do diabo. E toda a glória seja para o SENHOR!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O que significa a frase “Nunca vos conheci”?


A frase em epígrafe será pronunciada pelo Justo Juiz, como resposta aos falsos profetas, enganadores, milagreiros, mentirosos, avarentos, os quais, diante dEle, no dia do juízo, apresentarão um invejável currículo: “... não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?” (Mt 7.21-23, ARA).

Muitos acreditam que a aludida frase está relacionada com a rejeição do Senhor Jesus aos não-eleitos. Mas essa não é a real significação de “Nunca vos conheci”. O Onisciente conhece até mesmo os ímpios e soberbos, ainda que de longe (Pv 15.3; Sl 138.6).

O verbo “conhecer” (gr. gnõskõ), em Mateus 7.23, diz respeito a relacionamento aprovador, e não a conhecimento, no sentido usual e comum. A construção frasal, no original, denota: “Nunca aprovei a vossa obra”, “Nunca reconheci a vossa obra” ou “Nunca dei crédito ao vosso trabalho”.

Sabemos que o Senhor Jesus só tem relacionamento aprovador com quem o ama e o serve, verdadeiramente (Gn 18.19; Sl 1.6; Jo 10.14,27; 1 Co 8.3; Na 1.7; Gl 4.9), pois “O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2 Tm 2.19, ARA). Por isso, os milagreiros e ilusionistas estão reprovados diante dEle. Como precursores do Falso Profeta (Ap 13.11-18), valem-se de sinais e prodígios de mentira (2 Ts 2.9), porém isso não os livrará da condenação.

São muitos os falsos profetas que ainda agem livremente no meio do povo de Deus. Alguns têm sido desmascarados; outros continuam transitando pelas igrejas sem nenhum impedimento. Apressamo-nos em condenar alguns tipos de pecado, como os de ordem moral, mas os malabaristas e ilusionistas têm livre curso entre nós.Recebi, há poucos dias, por e-mail, um vídeo (autêntico) que compromete moralmente certo milagreiro. Já entreguei-o nas mãos do Senhor, que é justo e misericordioso, pois não cabe a mim condenar o tal “confencista internacional” ao Inferno, mas tenho o dever de alertar o povo de Deus, o que venho fazendo, incansavelmente, neste blog.

No aludido vídeo, um famoso milagreiro-ilusionista, que realiza cruzadas de “milagres” em todo o Brasil, relaciona-se pela Internet com uma jovem, a qual despe-se diante de uma câmera, enquanto ele (também diante de uma câmera) expõe o seu membro viril sem nenhum pudor. É com essa mesma mão, carregada de pecados, que ele realiza “milagres” no meio do povo de Deus e diz extrair objetos de pessoas incautas, ao som de efusivos aleluias e aplausos!

Infelizmente, há pastores desavisados — que não discernem bem tudo (1 Co 2.15) nem provam se os espíritos são de Deus (1 Jo 4.1) — recebendo falsos profetas em suas igrejas e permitindo que seus membros sejam enganados, para tristeza do Espírito Santo.Muitos me perguntam: “Pastor Ciro, por que Deus não age? Por que Ele não desmascara de uma vez por todas esses enganadores?” Vemos, em Deuteronônio 13.1-4, que o Senhor permite que os falsos profetas e milagreiros ajam em nosso meio, a fim de nos provar, para saber se o amamos de todo o nosso coração e de toda a nossa alma. Afinal, quem o ama não abre mão da Verdade, haja o que o houver (Jo 10.41; 14.23).

O Senhor Jesus tem dado tempo a esses enganadores, a fim de que se arrependam (Ap 2.20-22). Ele é longânimo. Mas chegará o dia do juízo. E os falsos profetas, milagreiros, ilusionistas, mentirosos e avarentos serão condenados, caso não se arrependam de seus pecados (2 Pe 2.1-3; Mt 7.21-23).Ouçamos, pois, a voz do Bom Pastor: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15, ARA).Ciro Sanches Zibordi

Fundando uma igreja e afundando a Bíblia


É sempre assim, aqui no Brasil, alguns dizem que “Deus é brasileiro”, eu creio que muitos pensam e vivem como se isso fosse uma verdade absoluta.

Pela facilidade que se tem em “montar”, uma igreja/denominação em nosso querido país, estamos passando uma grande vergonha e sendo motivo de chacota, aqui no Brasil e no mundo, quer saber como se faz, ou, como estão fazendo?

Bom, vamos lá, primeiro intitule-se ‘pastor’, diga que é um 'ungido' e 'ai daquele que me tocar' (rsrs), nesse caso ninguém vai duvidar de 'seu poder' ou, fique um tempo em uma igreja de 'nome', somente para enrolar e conhecer as pessoas para depois saber como agir (ninguém te chamará de 'traidor', pode ficar sossegado, no final, é só fazer cara de coitado, dizer que Deus te chamou e voce não pode ir contra a vontade do Senhor, que o povo acredita), em seguida diga que “Deus” te revelou. Agora é só alugar uma garagem (pequena, depois você aumenta), comprar (com a ajuda de alguns descontentes de outras igrejas) algumas cadeiras, uma mesinha (pra ficar atrás dela lá na frente, é claro), um violão ou teclado (tocador é o que não falta), arrumar alguns dias na semana para reuniões e, ‘bingo’!”
Está montada, ops! Fundada a tal igreja.

O nome? Isso é o que não falta, e a mente anda por todos os lados com os mais variados nomes que dizê-los aqui seria demasiadamente grande essa postagem, invente um e diga que foi 'deus ' que revelou, isso tirará a responsabidade de cima de você.

Bom, agora, é só registrar a organização com um nome “chamativo”, pode ser esboçando uma “santidade” ou uma “paz” que saiu de uma divisão. Esse registro pode ser feito no Cartório da cidade, ninguém irá te perguntar se você é realmente “pastor”, basta pagar o registro.
Ops, quase esqueço, arrume alguém pra ajudar você a “bolar” um Estatuto, lhe dando alguns direitos, inclusive o de ‘presidente’ é claro.

Nas reuniões agrade a todos, chame todos para ser seus ‘cooperadores’ e dê alguns privilégios para os que mais ajudaram você na fundação da dita igreja.

Depois, agrade. Agrade inclusive quem é membro de outras organizações, dê-lhe cargos, faça-o sentir-se importante em sua igreja que logo, mostre a ele que você é "santo pra rebentá", logo ele “sentirá” um "chamado" para ser membro de sua igreja.

Quando alguém questionar se você realmente é pastor, diga que é “deus” quem o instituiu e “ai daquele” que duvidar, “pagará” caro, pois deus é terrível.

Bíblia? Deixe pra lá, quem quer saber de Bíblia hoje?
O negócio é reteté, oba, oba, muito show, muita dança (de preferência, com muitas pessoas bonitas lá na frente, não é?), muita agitação....
Aqui cabe um conselho: Se você ou alguém começar a ensinar a Bíblia lá, você vai perder seu "povo".

Ezquiel 33.32 - " E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra."

Apenas você (fundador) faça um cursinho básico de ‘teologia’ por correspondência ou desses pela internet, isso te dará orgulho e mais ‘poder’ sobre os ‘leigos’.

Na reunião? Cante bastante, enrole o tempo, de oportunidades às pessoas, isso fará com que elas se sintam valorizadas, copie alguma coisa de uma igreja aqui, copie outra ali, ajuste uma coisinha daqui, outra dali, pronto!

ESTÁ FUNDADA A IGREJA E AFUNDADA A BÍBLIA.

É assim que funciona em nossa querida pátria amada, “deus é brasileiro ou não é?” Rsrs.

Para nossa tristeza, o desrespeito para com a Bíblia Sagrada tem sido grande, no Brasil não existe nada que regulamente essa onda vergonhosa.
Qualquer um pode intitular-se pastor, não importa quem seja ou o que faz, não importa seu caráter, basta carisma e muita enganação.

Fundadores de igrejas ou comunidades (na maioria), são pessoas que não conseguiram estar debaixo de autoridade e que agora exigem autoridade de outras. Não conseguiram serem lideradas e agora querem liderar.
Assim sendo, um dia essa igreja afundada, ops, fundada, terá seus descontentes, e lá se vai mais uma igreja ser fundada, tudo sob a “revelação” de 'deus', 'deus' mandou, me chamou, me revelou e "ai daquele que põe tropeço em meu chamado".

É isso, funda-se uma igreja e afunda-se a Bíblia.

2 Timóteo 4:3-5 - “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.”

Bereiano
bereiano.blogspot.com

Recebemos Dois Selos





Louvamos a Deus pela indicação do Danilo da genizah para recebermos dois selos, que Deus o abençoe cada vez mais. O primeiro foi obra do Rubinácio da comunidade Jesus Voltará, eu Creio! O segundo, “Somos mais que Vencedores” foi presente do Odair Mercham do Caminho plano. Segue abaixo os meus indicados.




quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crise de identidade


Não só as pessoas, mas também grupos humanos sofrem crises de identidade.

Nós, seres humanos, passamos por muitas crises. Mas são as crises de identidade que nos fazem experimentar um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente passa por uma crise de identidade, na qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas; o chão nos foge dos pés; uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala; as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas; um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes. Os chineses têm razão quando escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando “perigo”, e outro, “oportunidade”. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade: o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos, repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro. Este segundo processo é capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar à nossa vocação mais original.

Não só as pessoas, mas também os grupos humanos sofrem crises de identidade. Quando olhamos para trás, vemos na história da Igreja momentos quando ela entrou em crise de identidade. Somente para citar alguns exemplos, foi assim com o nascimento do monasticismo, no século 4; com a Reforma Protestante, em 1517; e com a eclosão do pentecostalismo, no início do século passado. Todos esses e outros movimentos marcados simultaneamente pelo perigo e pela oportunidade tinham algo em comum: eles clamaram por um retorno à identidade essencial da Igreja. Queriam respostas a questões cruciais, como qual a razão de ser da Igreja? O que essencialmente é sua identidade? Para que existe? Em busca dessas respostas, confesso, um dia já cheguei a me perguntar se Jesus realmente quis a Igreja! Qualquer leitura rasa dos evangelhos vai nos mostrar que o centro da pregação, da vida, da morte e da ressurreição de Jesus foi o Reino de Deus. Ele nos ensinou a orar dizendo “venha o teu Reino” e não “a tua Igreja”. Será que Jesus sonhou o Reino e o que veio foi a Igreja? A verdade é que Jesus também quis a Igreja. É claro que ele não idealizou prédios maravilhosos, líderes com habilidades gerenciais ou estruturas complexas consumidoras de recursos e energia na manutenção de programas que acontecem sem a necessidade de sua própria presença. Em seu projeto de Igreja, ele concebeu uma comunidade de discípulos que se reunia para adorá-lo e renovar as forças para viverem sua missão transformadora deste mundo. Esta é a conspiração divina iniciada por Jesus: discípulos cheios do Espírito Santo, imersos nas dores deste mundo, sendo instrumentos da concretização do Reino de Deus. Esta é a identidade original da igreja; é para isso que ela existe.

Mas o que aconteceu com este sonho? Uma autêntica busca de resposta a esta pergunta vai nos levar, como Igreja, a uma saudável crise de identidade. Muitas vezes, a resposta do que somos está no passado – daí a necessidade de fazer os retornos necessários. Porém, existimos no presente caminhando para o futuro, e precisamos fazer as atualizações necessárias. O caminho de retorno ao ideal perdido do Corpo de Cristo nos exige, em primeiro lugar, uma redefinição da Igreja como uma comunidade relacional e geradora de autênticos discípulos. A Igreja precisa ser um centro de formação espiritual que irradia a vida do Reino de Deus para o mundo. Por outro lado, é fundamental redefinir o que é o discipulado: um processo de formação espiritual que nos convida a ser uma encarnação histórica desse Reino. Falar de formação espiritual é falar de impactar e mudar o mundo, e não estabelecer métodos e programas eclesiásticos para o crescimento das igrejas.

Por último, o papel pastoral precisa ser necessariamente revisto. Na solução de sua crise de identidade, a Igreja deve superar essa dinâmica pedagógica passiva na qual se vai à igreja para ouvir, e não para ser desafiado a viver. Para que voltemos a ser Igreja, precisamos de pessoas comprometidas com Deus em se tornarem pais, mães, mentores espirituais e agentes de formação cristã, amando mais os indivíduos do que as multidões – embora estas sejam resultado abençoado do investimento em pessoas –, e que, consequentemente, recusem-se a ser meros animadores de auditório ou líderes gerenciais de grandes projetos. Que uma santa crise de identidade venha sobre todos nós, fazendo-nos protagonistas de um retorno ao sonho original de Reino de Deus que transforme nossas igrejas em centros de formação espiritual.

COMO VENCER A MÁGOA


A mágoa é um sentimento avassalador. Muitas pessoas são destruídas pela mágoa e vivem soterradas debaixo dos escombros de seus ressentimentos. Há indivíduos que perdem a alegria de viver por nutrirem amargura no coração. Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom enfrentaram duras circunstâncias em Belém, a casa do pão (Rt 1.1-22). Faltou pão na casa do pão. Aquela família para fugir da crise econômica, mudou-se para Moabe. Ao buscar sobrevivência e segurança em Moabe encontraram a carranca da morte. Em Moabe Noemi perdeu o marido e seus dois filhos (Rt 1.3-5). Agora, estava velha, viúva, pobre e sozinha em terra estrangeira. As circunstâncias pareciam conspirar contra ela. Seu coração encheu-se de mágoa. Logo que Deus mudou a sorte de Belém, Noemi resolveu voltar para sua terra. Nessa volta, ela expressou sua mágoa; mas, também, nessa volta Deus a restaurou e lhe abriu a porta da esperança. Como vencer a mágoa?

1. Olhe para o alto e saiba que Deus está no controle da situação - Noemi lançou a culpa de suas perdas sobre Deus. Ela disse que Deus havia descarregado sobre ela a sua mão (Rt 1.13). Ela afirmou que o Todo-poderoso havia lhe dado grande amargura (Rt 1.20). Ela disse que havia partido ditosa de Belém, mas o Senhor a havia feito voltar a Belém pobre (Rt 1.21a). Ela acusou Deus de ter se manifestado contra ela e tê-la afligido (Rt 1.21b). Noemi olhou para Deus como o causador de sua dor. Ela entendeu que Deus era o protagonista e responsável por todo o seu sofrimento. Na sua leitura, Deus estava contra ela e não ao seu favor. A sua mágoa mais profunda não era por causa de suas perdas, mas porque Deus estava pesando a mão sobre ela. Noemi olhou para vida pelo lado avesso. Ela não discerniu o propósito soberano de Deus que se desenrolava na sua vida e através da sua vida. Deus estava escrevendo um dos capítulos mais emocionantes da história da humanidade através daquela pobre viúva, a fim de que ela fosse avó do grande rei Davi, tronco de onde nasceria o Messias, o Salvador do mundo.

2. Olhe ao seu redor e saiba que há pessoas que amam você verdadeiramente - Quando Noemi já velha, viúva, pobre e sozinha voltava para Belém, sua nora Rute, viúva de Malom, demonstra a ela, de forma eloqüente, um acendrado amor. As palavras de Rute a Noemi são relembradas com grande emoção ainda hoje nas cerimônias de casamento: "Aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti" (Rt 1.16,17). Quando estamos amargurados deixamos de perceber a beleza e a profundidade do amor que as pessoas nos dedicam. A vida nunca é um deserto quando somos consolados pelo bálsamo do amor. A amargura e o amor não podem co-existir. O amor transforma o vazio da solidão na plenitude da alegria.

3. Olhe para frente e saiba que Deus pode transformar suas tragédias em triunfo - Noemi pensou que o seu destino era sofrer. Ao chegar de volta em Belém resolveu trocar de nome (Rt 1.20).. Noemi significa "ditosa, feliz". Ela pediu para ser chamada de Mara, "amargura". Ela queria levantar um monumento definitivo para celebrar a sua dor. Ela estava olhando pela lente do retrovisor, só relembrando suas perdas e suas desventuras. Mas, Deus transformou suas tragédias em triunfo. Rute casou-se com Boaz, um parente rico e remidor (Rt 4.9,10). Desse casamento nasceu Obede, pai de Jessé, pai de Davi (Rt 4.17). Rute fez parte da árvore genealógica de Jesus, o Messias (Mt 1.5). Deus enxugou as lágrimas de Noemi, restaurou sua sorte e colocou em seus lábios um cântico de vitória. As mulheres de Belém disseram a Noemi: "Seja o Senhor bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto que será teu resgatador, e seja afamado em Israel o nome deste. Este será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice, pois tua nora, que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos" (Rt 4.14,15).

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Lavoura e o tempo


O ciclo da agricultura é comparável às nossas vidas, com semeaduras e colheitas.
Um dos principais elementos que regem a vida do agricultor é o tempo. Ele precisa conhecer as estações do ano e agir de acordo com cada uma delas, plantando, cuidando, esperando e colhendo. Ele não pode inverter a ordem. Não é possível colher sem ter plantado, a não ser que se queira roubar na propriedade alheia.
As tarefas agrícolas não podem ser realizadas com muita antecipação nem com atraso. Na época da chuva não é possível preparar o solo nem lançar a semente. O resultado seria um grande lamaçal, com a enxurrada carregando os grãos. Quando chega a época da ceifa, é possível que o lavrador já esteja muito cansado, mas ele não pode relaxar. Adiar a colheita pode significar perda total. "Abundância de mantimento há na lavoura do pobre; mas se perde por falta de juízo." (Pv 13.23).
O ciclo da agricultura é comparável à vida de cada um de nós, com muito trabalho, fé em Deus, paciência e produtividade. Salomão comparou a juventude à primavera (Ec 11.10). Nossa existência é dividida em estações, com tempos adequados para cada propósito. Não podemos ignorar tal coisa. Não devemos ser precipitados em nossas realizações, adiantando demais os fatos, nem ser omissos, negligentes ou preguiçosos, deixando de fazer aquilo que deve ser feito no tempo certo. "O que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha." (Pv 10.5).
Vejamos alguns exemplos de inversão na ordem natural da vida: há muitas crianças trabalhando, quando deveriam estudar e brincar. Por outro lado, muitos jovens só querem se divertir, quando deveriam também estudar e trabalhar. Outros antecipam as relações sexuais, a gravidez e a constituição da família, sem que tenham se preparado para isso. Algumas vezes, encontramos pessoas bastante idosas que estão ingressando na faculdade, porque não o fizeram na juventude. Todo tempo é propício à aquisição do conhecimento, mas se isso acontecer muito tarde, o indivíduo não colherá o que está plantando. "Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou." (Ec 3.1-2).
Muitos fatos ocorrem por força das circunstâncias, causando desordem na vida. Compreendemos isso. Entretanto, há quem perca seu tempo por outros motivos: preguiça ou negligência. É imprescindível que cada um se conscientize do momento em que está vivendo. Qual é a estação atual? Para muitos de nós, ainda é tempo de semear, tempo de plantar. Não percamos a oportunidade.
Quando chega o tempo de colher, e não existe fruto aprazível, o indivíduo começa a murmurar. Acusa Deus, o governo, os pais e a família. Culpa o destino, revolta-se e se desespera. Entretanto, não se recorda de sua negligência na época da semeadura. Existem também aqueles que vivem praticando o mal sem saber que seus atos são sementes. O que fazem hoje lhes será feito amanhã de modo multiplicado. "Falam palavras vãs; juram falsamente, fazendo pactos; por isso brota o juízo como erva peçonhenta nos sulcos dos campos." (Os 10.4). "Lavrastes a impiedade, segastes a iniqüidade, e comestes o fruto da mentira." (Os 10.13). "O que semear a perversidade segará males." (Pv 22.8). "Pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7).
Além dos estudos e do trabalho, seja natural ou espiritual, semeamos em cada ato, palavra ou gesto para com o próximo. Cada semente, boa ou má, se multiplicará e retornará para nós no tempo da ceifa.
Cabe, portanto, a cada um de nós, escolher bem as sementes para que a nossa colheita seja excelente. Façamos hoje o que deve ser feito, pois amanhã pode ser muito tarde. "E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido." ( Gal.6.9).
Queremos colher muito, mas semeamos pouco. Somos econômicos na semeadura e ambiciosos na colheita. Fizemos algo para Deus ou para o próximo e achamos que foi suficiente. Não se acomode. Trabalhe mais. Semeie mais.
"Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará." (2Co 9.6). "Eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça." (João 15.16).
Anísio Renato de Andrade

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